O hall de entrada estava vazio, assim como o bar e a pista de dança do primeiro andar. Ambos estranhamos a cena, nunca tinhamos visto aquele local tão deserto. “Bom, se não tem ninguém, o jeito é beber!” ― eu disse, olhando para o bar vazio. Ela concordou com um sorriso e fomos beber algo. E foi ali que eu percebi pela primeira vez. O barman não tirava os olhos dela. Acompanhou-a com o olhar quando ela se sentou no banquinho alto do bar, e quando ela acendeu um cigarro ― soprando a fumaça do primeiro trago para o alto ― seus olhos ainda a fitavam. A música já estava alta o bastante para atrapalhar qualquer conversa, então aproveitei para reparar nas pessoas que chegavam em grupos de três, quatro, cinco pessoas. Aos poucos o ambiente foi ficando cheio e resolvemos dar uma olhada nos outros três andares.
O segundo andar estava mais calmo graças à ausência da pista de dança. Pegamos nossos copos e fomos nos escorar em uma das várias mesinhas iluminadas à velas. De quando em vez, um conhecido cumprimenta. Ora eu, ora ela. Ás vezes, um conhecido mútuo saúda nós dois. Estranho. O barman deste andar também não desgruda os olhos dela. Encasquetei. Resolvi reparar pra valer.
O que talvez não tenha sido uma boa ideia, porque uma vez que comecei a reparar… Era incrível como as pessoas a olhavam. A luz fraca do ambiente não me deixou perceber a natureza da maior parte dos olhares, mas alguns eu consegui entender bem. E ela, alheia à tudo, ou assim me apareceu. Sorria, brincava, fumava, bebia. E continuamos nosso programa de ver o movimento nos outros andares. E os olhares a seguindo.
Não me entendam mal. Não acho estranho que a olhem. Ela é uma garota bonita e com um par de olhos por demais expressivos. É normal que chame atenção. Eu, por minha vez, estou acostumado a estar com amigas bonitas. Não é novidade que as pessoas virem o pescoço para olhar melhor. E talvez por isso mesmo, por estar tão acostumado, me surpreendeu o número de pessoas que lhe dedicava um olhar. Às vezes mais que um. Continuei curtindo a noite, mas com um pedaço do cérebro focado em todos esses olhares. Isso renderia uma crônica. Ah, se renderia!
Algumas garotas também olhavam. Algumas mais do que outras. O rapaz bombadinho de camiseta regata olhou quando cruzou com ela na escada. Cinco minutos depois, voltou para olhar melhor. O meia idade comportado abraçava a namorada, e aproveitava para olhar por cima de seu ombro. Os japoneses olhavam. Os brasileiros olhavam. As japonesas e brasileiras também. E todas as pessoas de outras nacionalidades que eu não tive paciência de pesquisar também. Alguns despreocupados viravam o pescoço com alarde, sem a menor cerimônia. Os conhecidos aproveitavam o encontro para tirar fotos com ela. Alguns desconhecidos aproveitavam quando um pequeno grupo se formava para tentar um contato, um olhar, um sorriso. Quem sabe poderiam estar no time dos conhecidos na próxima vez.
Continuamos nossa maratona entre os quatro andares, criticando ou elogiando as músicas de cada andar. Acabamos onde começamos, no primeiro piso, com um grupo de amigos. Resolvemos sair para jantar e não resisti. Eu precisava dar aquela última olhada nos que ficaram. E conforme olhei, encontrei vários olhos a seguindo, como esperado. Fiquei pensando no que dizer a ela. Ou seria melhor não dizer nada?
Acabei me decidindo por uma única frase, algo ao meu estilo, que mostrasse o quanto ela foi o alvo das atenções naquela noite e também servisse de elogio.
“Eu odiaria ser seu namorado!”.


11 falantes:
Qual é o oposto de medatsu?
Hahahaha! Quem era ela? Eu também quero olhar, fiquei triii curiosa!ahahahah!!!!
Ontem eu comentei com a Buki o quanto daria para montar uma minissérie com as coisas que rolam no bar, é incrível! Toda noite tem um acontecimento!
Leva ela pro Joe e vamos ver se acontece igual!!!! \o/
Bjos Pinhão
PS: temperatura lá fora ja baixou do 0ºC.. bbrrrrrrrr! Amo frio!!!!!
Paulo,
consigo imaginar a cena. E olha, a gente consegue o que quer, aonde quer que estejamos, com uma garota assim ao nosso lado. Seja homem, mulher, ou mãe da dita cuja...rs...rs...
UHAUAHUAHUAH!
Se eu fosse homem, tb odiaria! Meu Deus... Muito estresse! com tanta gente olhando, nem daria pra curtir a vaidade de estar com uma mulher tao linda!
Te amo!
Hahahahahahah! Teu elogio foi uma mistura perfeita de bom humor, ironia e admiração!
Legal ter decidido pelo primeiro andar hehehehehe.
Dia 13 tem Festa Brasileira!! Abs
でわ目立たない彼女でも奇麗な人が欲しいですか。難しいですね。
Fico impressionado com seus textos Paulo! De verdade! Vamos publica-los? Posso ser seu editor... hehehe. Gostei muito dessa cronica.
Realmente a frase resumiu tudo.
Algumas pessoas puxam nosso olhar mesmo, pela beleza, pela simpatia, ou pelo simples fato de serem marcantes.
É só eu me arranjar com uma 'loko' pra eu mandar aquele cartão de dia dos namorados.
Zombies RLZ!!
asiudasudashudhas
Best elogio ever!
kkkkkkkkkkkkkkkk
Kisu =*
Postar um comentário