Sábado, Outubro 31, 2009

A Biblioteca

… e a polícia pede a todos que evitem sair de casa enquanto durar a tempestade, pois isso aumenta o…

Ele desligou o aparelho de TV e jogou o controle remoto sobre o sofá. “Se eu estivesse em casa, aceitaria seu conselho…” ― murmurou para o aparelho desligado. Com tempestade ou não, teria que ir para casa. Ou melhor, queria ir para casa. Levantando-se do sofá, caminhou em direção a sua mesa. Checaria e-mails por alguns minutos, mas iria embora a qualquer custo.

Aquele escritório era o que ele mais valorizava no emprego, uma sala ampla com sua mesa, uma mesa maior para as reuniões, sofá confortável, TV. Se quisesse, poderia muito bem passar a noite ali. A questão era que não queria. Não se lembrava de nada importante para fazer em casa naquela noite, simplesmente não queria dormir no sofá do escritório. Vestiu sua jaqueta e apagou as luzes ao sair. “Com tempestade ou não, vou pra casa!”.

Ele havia dirigido cerca de cinco minutos quando finalmente entendeu o que a polícia havia tentado lhe dizer no noticiário, era impossível enxergar com aquela chuva. Não bastasse o volume de água caindo sobre o parabrisa do carro, a força do vento tornava tudo pior. Em uma cidade pequena como aquela, parece que a polícia havia conseguido transmitir sua mensagem a todos. Não havia um único carro na rua. Bem, apenas um.

”Entre dormir no carro ou no escritório, ficava com a última alternativa.” ― pensou, já arrependido por ter saído do prédio. Seu carro agora balançava com as rajadas de vento, não havia mesmo como continuar dirigindo. Não conseguia distinguir o prédio a sua esquerda, mas havia nascido e crescido ali; não precisava de evidências visuais para saber que estava em frente ao prédio da biblioteca. Pensou por alguns segundos e decidiu entrar, melhor esperar a tempestade passar. “E de quebra leio alguma coisa! Faz anos que não venho aqui!”.

Apesar de não se lembrar o horário de funcionamento, sabia que a biblioteca ainda estava aberta. Uma luz laranja, fraca e constante saia pelas grandes janelas do prédio. Subiu correndo os degraus que o levaram à porta principal. Sentiu vontade de apreciar aquela porta por alguns segundos, uma porta alta, de madeira escura, os puxadores de latão, aquele amarelo envelhecido pelos anos. A chuva contudo interrompeu o momento de nostalgia e o fez entrar.

Mas a nostalgia o inundou novemente assim que adentrou o salão principal, aquele cheiro de livros velhos, ou talvez fosse o carpete vermelho, já escurecido depois de tanto tempo. A iluminação continuava fraca mesmo no lado de dentro, controle de energia elétrica, talvez. Lembrou-se de como ficava boquiaberto ao olhar para o teto, alto, quase infinito. Agora, já adulto, continuava achando aquele teto o pé direito mais alto que conhecia. Não havia ninguém na recepção, a velha senhora Maggie deveria estar organizando os livros, como sempre fizera desde que ele se conhecia por gente. “Aliás, ela deve ser uma espécie de fantasma!” ― pensou, rindo consigo mesmo. “Deve trabalhar aqui há, sei lá, uns duzentos anos!”.

A biblioteca estava deserta. Evidente. Estavam no meio de uma tempestade, a pior do ano. Estranho até que não estivesse fechada, como a prefeitura, que fechou mais cedo para que todos chegassem em suas casas a tempo. Decidiu procurar por alguns livros de Edgar Allan Poe que estavam fora de catálogo e ele não achava nem em leilões virtuais. Felizmente, a área destinada à literatura de terror continuva no mesmo lugar.

”Por que será que o cheiro de mofo é mais forte aqui neste setor?” ― balbuciou enquanto andava pelas altas prateleiras de madeira.
”Provavelmente porque as pessoas entram aqui molhadas da chuva!” ― respondeu uma voz calma, mas ligeiramente irritada atrás dele.
Ele virou-se rapidamente, achou que estivesse sozinho, mas só conseguiu definir uma sombra na frente da janela, por causa do relâmpago que iluminou toda a sala.
”Quem é você?” ― ele conseguia sentir a insegurança em sua própria voz.
”Sou Emily, eu trabalho aqui!” ― ela respondeu caminhando em sua direção.
Ele reparou naquela garota loira e bonita, e nos olhos verdes que brilhavam apesar da pouca iluminação do local. Usava um vestido vermelho, com o avental da biblioteca por cima. Reparou também que ela estava tão encharcada quanto ele.
”Ei! Você também está molhada por causa da chuva! Não foi justo o que me disse!” ― disse quase gritando. A chuva parecia ecoar pelas altas paredes do local, parecia que chovia ali dentro.
Ela sorriu, pareceu um pouco envergonhada, olhou para baixo. “Eu sei, acabei tomando um pouco de chuva minutos atrás…” ― olhou novamente para ele. “Eu e a senhora Maggie saimos mais cedo hoje, mas eu tive que voltar.”.
”Eu fico feliz que tenha voltado!” ― disse ele, sincero.
”Se você quiser posso te ajudar a encontrar o livro que procura!” ― ela disse com o mesmo sorriso misto, entre encabulada e feliz.
”Ótimo! A que horas fecha a biblioteca?” ― ele olhou instintivamente para o grande relógio na parede oposta.
”Sete horas! Mas não se preocupe…” ― ela acompanhou o olhar dele.
”Melhor deixar pra outro dia então! Já são oito horas!” ― não era o que ele queria dizer, mas queria demonstrar educação.
”Como eu disse, não se preocupe! Eu não posso sair daqui agora!” ― mais uma vez aquele sorriso encabulado, olhando para os próprios pés.
”Sendo assim, aceito sua ajuda!” ― ele disse, com um sorriso que ele não teve a menor intenção de esconder.

E foi assim que passaram as próximas horas. Ele estava em busca de um volume especificamente raro, The Complete Tales and Poems of Edgar Allan Poe. Ela localizou o livro facilmente na prateleira ao lado, um volume grande e pesado, encadernado a mão, com capa e acabamentos em couro. Agora que já tinha seu livro, faltava-lhe um motivo para continuar ali. Agradeceu mentalmente a chuva que amaldiçoara minutos antes. Sentaram-se nas confortáveis poltronas de couro do salão principal e conversaram sem pressa.

Ela preparou chocolate quente na copa da biblioteca, e voltaram a conversar. E ele ia se sentindo cada vez mais atraído por aquela jovem, por sua pele clara, seus olhos brilhantes. Mas não conseguiu deixar de perceber que ela consultava o relógio de parede em intervalos regulares.
”Desculpa! Está tarde e eu fico te prendendo aqui!” ― ele disse, meio contra a vontade.
”Não, não! Eu só estava reparando que aquele relógio parou exatamente às oito horas. Quando a gente se encontrou! É tão…” ― ela não terminou a frase.
”Romântico?” ― ele disse sem pensar, agora era tarde.
”É, acho que sim…” ― agora não era só o sorriso encabulado, ela estava tão vermelha quanto seu vestido.
Ele ficou igualmente perdido, e achou uso para as mãos folheando o livro.
”Você gosta de Poe?” ― ela perguntou sem pensar, simplesmente para ter o que dizer.
”Sim, muito!” ― pelo menos estavam conversando.
”Posso te pedir algo? Leia um poema do livro pra mim?” ― o fim da frase quase não saiu, mas foi o suficiente para ele escutar.

E ele leu um poema. Leu dois. Três. Perdeu as contas. A chuva continuava cada vez mais forte, relâmpagos, trovões, latas de lixo sendo arrastadas pelo vento. Nada mais importava. Ele lia, às vezes interpretando as vozes dos personagens, queria impressioná-la. Acima de tudo, queria que o tempo parasse assim como o relógio de parede. Ela sorria, acompanhava sua narrativa. Por vezes fechava os olhos para imaginar melhor a cena que ele estava descrevendo. Estavam ali, lado a lado nas poltronas de couro, sentindo o desejo de ambos aumentando, a chuva arrastando tudo do lado de fora.

Quando ele acordou, o sol brilhava forte pelas janelas do velho prédio da biblioteca. Não viu Emily, não viu o livro, não viu as canecas vazias de chocolate quente. Tampouco viu a senhora Maggie, ela não estaria ali em um domingo de manhã. Destrancou a porta e saiu em direção ao seu carro, que não estava em frente do prédio como ele se lembrava de tê-lo deixado na noite anterior. Avistou-o no estacionamento da biblioteca, um amplo espaço à direita do prédio. No parabrisa, encontrou um bilhete bem humorado de Emily, dizendo que a multa para estacionar na porta de uma biblioteca era bem severa. Foi para casa cantarolando uma música qualquer.

Ele ainda não se lembrava dos detalhes da noite anterior, mas sentia-se bem, sentia-se feliz. Saiu do banho e ligou a TV para ver o noticiário enquanto tomava o café da manhã.

Café da manhã que ele não chegou a terminar, devido ao estado que ficou ao ver a foto de sua doce Emily na TV.

… que ainda chegou com vida ao hospital municipal, após ser resgatada de seu carro que foi atingido por uma árvore enquanto voltava para casa de seu trabalho na biblioteca pública, mas não resistiu aos ferimentos e morreu às 20h00 de ontem.




Happy Halloween!
:p

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Puerco Pibil

Havia sido um dia monótono e a noite prometia não ser diferente. Por pura falta do que fazer, decidi jantar no barzinho perto de casa. Barzinho aliás que procuro evitar quando posso, já que não tem mais o mesmo brilho de outrora, quando a turma se reunia para o happy hour todas as noites. Hoje concentra estrangeiros diversos, e nativos interessados em estrangeiros. Todos fingem assistir ao jogo de futebol de algum campeonato europeu. Talvez alguns realmente assistam. Enfim, é a cerveja mais barata do bairro.

Pedi meu prato preferido, puerco pibil, a Guinness de sempre, e fiquei olhando pro telão na parede, relembrando meus motivos para não gostar de futebol. A comida chega acompanhada do segundo pint da cerveja irlandesa, e felizmente já não preciso mais olhar para o telão.

Eu estava na metade do prato, alguém marcou um gol, e a algazarra tomou conta do lugar. Gringos de todas as espécies comemoravam, como se aquele gol fosse mudar algo em suas vidas no dia seguinte. O barman comentou alguma coisa comigo, mas não consegui entender. A ruiva que se sentou ao meu lado também disse algo. Mais uma vez, passei batido. Ela percebeu minha irritação com o barulho e deu de ombros, sorrindo. Tentava me dizer que não tinha problema, poderia esperar o barulho passar. Continuou sorrindo. Voltei a comer com o humor no nível –7.

Eu queria começar essa conversa de um jeito diferente. ela disse sorrindo Mas você já assistiu Once Upon a Time in Mexico?

Olhei para o meu prato e entendi o que havia me denunciado.

Umas cinco vezes pelo menos. Sou fã do diretor. Quer experimentar?
Não, obrigada. Só tem um restaurante na cidade em que eu me arrisco a pedir um puerco pibil. Se quiser te apresento um dia desses.
Soa interessante. meu humor agora no nível –4.

Ela se apresentou e percebi que eu começava a me interessar. Aliás, eu já estava no terceiro pint de Guinness e ela era uma garota bonita. Não, não era bonita. Alta, magra, sardas espalhadas pelo rosto, lábios finos, cabelos ruivos ondulados até a metade das costas. Não era bonita, era simplesmente o meu tipo. O que a tornava bonita, pelo menos naquele momento.

Falamos sobre cinema por alguns minutos, depois veio a parte de saber o que cada um faz da vida, blablablá. O próximo passo, claro, é a fase de descobrir quem está ou não comprometido. Ela tomou a iniciativa.

Você tem namorada?
Tenho. E você?
Hum, tenho. Ou não. Não sei…
Foi a pior resposta que você poderia ter me dado.
Eu fui traída. Ainda estou na dúvida se tenho ou não um namorado.

Mau sinal. A conversa ia caminhando para o lado errado. Se você quer ficar com uma garota, não deve deixar que a conversa tome o rumo das confissões e da amizade. As mulheres não gostam de dar para o amigo, elas preferem dar para os estranhos. Decidi não dar continuidade àquele assunto e ignorar. Tomei um gole prolongado de cerveja enquanto pensava em como mudar o tema.

Olha, eu vou te mostrar uma foto de meu namorado me traindo! Uma amiga pegou no flagra e me mandou por e-mail.
(Fodeu…) — Você não precisa me mostrar…
(Sorrindo) Mas você vai gostar de ver!

Ainda estou decidindo se gostei ou não de ver. Conforme eu olhava para a foto em seu celular, ela foi se aproximando, deixando com que eu sentisse seu perfume, esbarrando sua mão na minha coxa.

Hum, eu acho que conheço essa garota que tá com ele…
É… Imaginei que sim… sorriso cada vez maior e mais sapeca.
É a minha namorada. E você sabe disso.
Sim, sei. E é por isso que vim procurar você.

E a mão continuou na minha coxa.

Meu nível de humor? Sei lá! Parei de medir quando estava +12, mais ou menos na mesma hora em que saimos do banho.

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Payback

Crônica postada originalmente no site FKK Image em 9/9/2009.

Como todo grande primeiro amor, aquele havia deixado marcas profundas. Tudo tinha sido perfeito, o primeiro olhar, com aquela cumplicidade típica de quem se ama; o primeiro beijo, tenso e inseguro, as primeiras intimidades. Tudo muito lindo, muito jovem, muito fresco. A sensação era de que não precisavam de palavras, como se suas mentes trabalhassem em uma mesma frequência, sentiam as mesmas coisas, pensavam de forma igual. E como em todo grande primeiro amor, ele assumiu que duraria para sempre.

Talvez por isso a dor tenha sido tão forte. Não somente a dor da perda, mas o sentimento de traição, o amargo de não ter percebido que havia construído um sonho vazio, unilateral. Foi difícil vê-la andando de mãos dadas com o novo namorado pelas ruas do bairro, lugares por onde haviam caminhado juntos, jurando amor eterno. Ou melhor, noivo. Sim, ela havia terminado o namoro e uma semana depois estava a apresentar seu “noivo”. Ou melhor, “pediu um tempo”. Naquela época não se terminava um namoro, pedia-se um tempo para pensar.

Não só por isso, mas também por causa disso, ele se mudou. Sofreu por um ano. Dois talvez. Mas como tudo na vida, passou. Tanto que só foi se lembrar daquela garota quase vinte anos depois. Culpa do tal do Orkut, invenção do diabo. Olá. Lembra de mim? Nossa! Quanto tempo! Blablablá.

Não reconheceu a mulher pela foto do perfil. Se não fosse pelo nome, provavelmente enviaria uma mensagem perguntando de onde se conheciam. Foi checar o álbum de fotos, ver se realmente se tratava da mesma pessoa. Tomou um susto quando viu uma foto recente dela com o marido. Não conseguiu sentir a dor e a mágoa que esperava. Talvez por seu cérebro não ter conseguido ligar a imagem daquela mulher à garota que um dia ele havia amado tanto. O tempo havia sido ingrato para com ela, estava bastante envelhecida, muito gorda, irreconhecível. O marido, por sua vez, havia envelhecido de forma mais natural, provavelmente na mesma medida que ele próprio. Porém, era a mesma pessoa, os mesmos olhos, continuava em forma. Era fácil de reconhecê-lo.

E isso fez com que sentisse de novo aquele ódio, pontiagudo, amargo. Ódio que nutriu por muito tempo contra seu rival, o cara que havia roubado sua namorada. Sentiu as mãos trêmulas, um nó subindo pela garganta. Vinte anos depois ainda não tinha perdoado o inimigo. Lembrou-se das noites em claro, imaginando coisas horríveis, pedindo a Deus (ou ao diabo) que fizesse algo de ruim acontecer com aquele cara, ou até mesmo com o casal. Duas décadas mais experiênte, envergonhou-se daqueles pensamentos e desviou o olhar do monitor.

Olhou para a cama ao lado e ficou observando sua namorada dormindo. Sono tranquilo. Reparou no corpo perfeito da garota, no auge de seus 23 anos, as roupas de ambos ainda jogadas pelo chão, as taças de vinho sobre a mesa de centro. Lembrou-se de como havia desfrutado sua vida nos últimos vinte anos, as mulheres que teve, os momentos que viveu. Começou a sorrir enquanto voltava a olhar para a foto no computador.

Sorriso este que virou risada. Primeiro uma risada leve, preguiçosa. Que foi tomando força e se transformou em gargalhada, forte, profunda, curtida. Gargalhava enquanto olhava aquele casal da foto, ele, ainda jovem apesar dos anos, forte. Ela, judiada, com aquele olhar sem brilho característico das pessoas sem expectativa, trinta e tantos quilos acima do peso. Se abraçavam na foto, aquele abraço frouxo, automático, de quem não tem muitas opções. E ele continuava gargalhando, começava a sentir os músculos do abdomen doendo, as lágrimas escorrendo, não conseguia parar de rir.

E entre gargalhadas, olhando para seu antigo rival, disse a única coisa que conseguia pensar: 

Sifudeu!

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Porque ela sabe me fazer feliz

Oi!
Er… Oi… Quem é você?
Hum, eu ainda não tenho nome. Isso é tu quem decide…
Eu??
É, ué! Eu sou um presente pra ti…
Ah…
A Manô disse que tu pode me usar da forma como quiser, mas que ia ficar mais legal na tua bateria.
É, tá escrito aqui na carta e… Ei! Alguém abriu este envelope!
Tu, né…
Antes de mim, porra! Dá uma olhada nisso aqui: “This postal item was opened by Customs for inspection and was repacked by our office”.
Ah, isso… Gosto nem de lembrar…
Por quê?
Bah! Me furaram com uma agulha pra ver se não tinha pó dentro…
Pó?
Droga, caralho!
Ah… E tinha?

Brincadeira… Hehehe!
E ela falou pra tu amarrar um cordãozinho em mim pra poder pendurar na…
Eu sei, eu sei. Tá escrito aqui na carta.
Humpf! Não sei porque ela me mandou te dar todos esses recados se ia escrever tudo numa carta…
Hahaha! Às vezes não confia em você!
Não tem graça! E aí? Vai me pendurar onde?
Na batera, óbvio!
Ah não! Eu quero estar num lugar onde possa passear por aí, saca?
Tá, entendi. Já sei onde eu vou te pendurar então. Mas tem uma condição.
Tô ouvindo…
Em dia de show você vai pra batera e fim de papo!
Tá. Mas onde eu fico até lá?
— No meu case de baquetas. Pelo menos vai estar junto comigo direto!
Uhuuuuu! Fechou, brother!

E assim começa uma parceria que vai seguir o mesmo rumo do marcador de livros, vai me acompanhar por onde quer que eu vá! Tá, chega de texto e vamos pras fotos então:




Manô, querida, ainda tô sem palavras. Tudo o que eu consigo pensar é que eu amei esse presente, e que a galera do Banana Rock vai amá-lo também. E que assim como o marcador de livros, vai me acompanhar pelas minhas andanças e vai causar muito nas próximas edições do Banana Rock!

Muito, muito, muito, muito obrigado!!!

Domingo, Setembro 06, 2009

Renovação

Hum… Como era mesmo que se escrevia um blog?

Acho que nunca houve um mês inteiro sem post até hoje. Não me lembro ao certo e não vou procurar nos arquivos. Só passei aqui pra explicar o sumiço antes que o Fantástico resolva fazer uma reportagem.

No começo deste ano, senti que eu estava chegando ao fim de um ciclo. A vida é assim, cíclica. Sempre.
Enfim, senti que estava na hora de rever algumas crenças, me livrar do que mais atrapalhava do que ajudava, repensar meus objetivos, blablablá.

A primeira fase foi relativamente simples, e se resumia em me afastar de ambientes e pessoas onde a identificação não mais existia. Digo simples porque envolvia somente o ambiente virtual.

Mas eis que, finda a primeira fase, veio o jogo de verdade. Me afastar de ambientes e pessoas que não me faziam bem no plano real (em oposição ao plano virtual) se mostrou uma tarefa bem mais complicada. Porque já não era uma questão de digitar algumas linhas ou deixar de acessar determinado site.

Desde quem me acompanhava há dez anos, até a empresa e seu presidente desonesto, foi muita gente pro saco desta vez. Foram tarde, aliás. O problema é que algumas vezes você precisa se livrar de alguém ao mesmo tempo em que faz de tudo pra preservar os laços com as pessoas que estão envolvidas com os dois, como no caso de um divórcio com filhos, por exemplo.

Enfim, agosto foi um mês difícil. E de todas as mudanças, agora vem a mais trabalhosa e a que eu mais odeio. Mudar de apartamento. Estou fazendo força para focar em como vai ficar legal meu novo apê, em como ele fica no centro da cidade, em como tudo vai ficar mais fácil. Mas, Jesus, que merda que é arrumar a mudança, não!? Odeio mais que ervilha e cebola juntas!

E por esse motivo, os posts vão continuar escassos em setembro. Mudo para o novo apê nas próximas semanas e tudo vai depender de eficiência da companhia telefônica em instalar minha internet.

Isso tudo sem falar na produção do Banana Rock e nos ensaios da nossa banda. Bem lembrado! Se você mora no Japão, quero ver você lá! Detalhes no site do Banana Rock



Aliás, o Banana Rock vale um post mais detalhado na próxima semana. Vou ali cuidar da minha vidinha torta e já eu volto.

Domingo, Julho 26, 2009

Medatsu! (目立つ!)

O hall de entrada estava vazio, assim como o bar e a pista de dança do primeiro andar. Ambos estranhamos a cena, nunca tinhamos visto aquele local tão deserto. “Bom, se não tem ninguém, o jeito é beber!” ― eu disse, olhando para o bar vazio. Ela concordou com um sorriso e fomos beber algo. E foi ali que eu percebi pela primeira vez. O barman não tirava os olhos dela. Acompanhou-a com o olhar quando ela se sentou no banquinho alto do bar, e quando ela acendeu um cigarro ― soprando a fumaça do primeiro trago para o alto ― seus olhos ainda a fitavam. A música já estava alta o bastante para atrapalhar qualquer conversa, então aproveitei para reparar nas pessoas que chegavam em grupos de três, quatro, cinco pessoas. Aos poucos o ambiente foi ficando cheio e resolvemos dar uma olhada nos outros três andares.

O segundo andar estava mais calmo graças à ausência da pista de dança. Pegamos nossos copos e fomos nos escorar em uma das várias mesinhas iluminadas à velas. De quando em vez, um conhecido cumprimenta. Ora eu, ora ela. Ás vezes, um conhecido mútuo saúda nós dois. Estranho. O barman deste andar também não desgruda os olhos dela. Encasquetei. Resolvi reparar pra valer.

O que talvez não tenha sido uma boa ideia, porque uma vez que comecei a reparar… Era incrível como as pessoas a olhavam. A luz fraca do ambiente não me deixou perceber a natureza da maior parte dos olhares, mas alguns eu consegui entender bem. E ela, alheia à tudo, ou assim me apareceu. Sorria, brincava, fumava, bebia. E continuamos nosso programa de ver o movimento nos outros andares. E os olhares a seguindo.

Não me entendam mal. Não acho estranho que a olhem. Ela é uma garota bonita e com um par de olhos por demais expressivos. É normal que chame atenção. Eu, por minha vez, estou acostumado a estar com amigas bonitas. Não é novidade que as pessoas virem o pescoço para olhar melhor. E talvez por isso mesmo, por estar tão acostumado, me surpreendeu o número de pessoas que lhe dedicava um olhar. Às vezes mais que um. Continuei curtindo a noite, mas com um pedaço do cérebro focado em todos esses olhares. Isso renderia uma crônica. Ah, se renderia!

Algumas garotas também olhavam. Algumas mais do que outras. O rapaz bombadinho de camiseta regata olhou quando cruzou com ela na escada. Cinco minutos depois, voltou para olhar melhor. O meia idade comportado abraçava a namorada, e aproveitava para olhar por cima de seu ombro. Os japoneses olhavam. Os brasileiros olhavam. As japonesas e brasileiras também. E todas as pessoas de outras nacionalidades que eu não tive paciência de pesquisar também. Alguns despreocupados viravam o pescoço com alarde, sem a menor cerimônia. Os conhecidos aproveitavam o encontro para tirar fotos com ela. Alguns desconhecidos aproveitavam quando um pequeno grupo se formava para tentar um contato, um olhar, um sorriso. Quem sabe poderiam estar no time dos conhecidos na próxima vez.

Continuamos nossa maratona entre os quatro andares, criticando ou elogiando as músicas de cada andar. Acabamos onde começamos, no primeiro piso, com um grupo de amigos. Resolvemos sair para jantar e não resisti. Eu precisava dar aquela última olhada nos que ficaram. E conforme olhei, encontrei vários olhos a seguindo, como esperado. Fiquei pensando no que dizer a ela. Ou seria melhor não dizer nada?

Acabei me decidindo por uma única frase, algo ao meu estilo, que mostrasse o quanto ela foi o alvo das atenções naquela noite e também servisse de elogio.

“Eu odiaria ser seu namorado!”.

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Eclipse Total do Sol

― Paiê, os humanos tão fazendo aquele furdunço de novo…
― Por causa de que desta vez?
― Do eclipse…
― Pff…
― Perdoa, pai! Eles não sabem o que fazem…
― Você sempre livra eles com esse papo…
― Mas…
― Mas, o caralho! Depois aparece aquele monte de cego pedindo milagres!
― Mas…
― Na última vez teve tonto que usou até binóculo!
― Hum, isso é verdade…
― Faz o seguinte, filho: manda o Pedro nublar aquela porra toda!
― Tudo?
― O máximo que der!
― Mas, pai… E os cientistas?
― Fodam-se todos!

E assim foi o meu eclipse total do sol hoje pela manhã. Minha próxima chance será daqui há 26 anos. Se eu viver até lá, claro.